A primeira edição do Mercado no Parque chega ao Shopping Recife com uma curadoria especial dedicada à enogastronomia. Em parceria com a Feira NaFoz — evento de economia criativa nascido na Zona Norte do Recife, que reúne produtores, artesãos e pequenos empreendedores —, a versão inaugural na Zona Sul acontece neste sábado (15) e domingo (16), das 16h às 22h, no Parque Gourmet.

O empreendedorismo pioneiro é o fio condutor das operações de comidas e bebidas que ocuparão a praça externa do Parque Gourmet. Distribuídas ao redor do palco musical, quatro marcas traduzem o espírito da Feira NaFoz ao reunir identidade, criatividade e sustentabilidade: a Vinícola Rupestre, A Raiz do Agreste, Janaína Ferreira Bolos e o restaurante Terra, representado pelos drinques assinados pelo premiado mixologista Lucas Santos.

 

A RAIZ DO AGRESTE: QUANDO A PERSISTÊNCIA FLORESCE

 

Micheline Cavalcanti havia acabado de financiar a casa quando teve início o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19. Para ajudar a pagar as prestações, decidiu abrir um pequeno negócio: vender ovos, queijo coalho e queijo-manteiga para os amigos.

Os amigos foram indicando aos amigos e, aos poucos, a qualidade dos produtos passou a circular no melhor dos canais: o boca a boca. O lucro era reinvestido na compra de novos itens, que ampliavam gradualmente o portfólio. Não demorou para surgir o primeiro convite: participar de uma pequena feira realizada em uma repartição pública.

O sucesso da experiência incentivou Micheline a aprofundar a pesquisa por fornecedores que traduzissem a identidade da marca que começava a ganhar forma. A Raiz do Agreste, como o próprio nome sugere, nasceu com a proposta de aproximar os consumidores de uma rica produção artesanal, reunindo sabores que dificilmente chegam às prateleiras do grande varejo.

Para o Mercado no Parque, Micheline levará uma combinação capaz de conquistar até os paladares mais exigentes: a harmonização entre o tradicional queijo-manteiga e o doce de leite de búfala. A seleção inclui ainda queijos maturados, opções zero lactose e doces artesanais, com ou sem adição de açúcar.

Aos 54 anos, Micheline fez como as raízes que brotam no Agreste e no Sertão de Pernambuco: basta encontrar terreno fértil para renascer com ainda mais força. A Raiz do Agreste nasceu assim — cultivando pequenos produtores e aproximando os consumidores de sabores que merecem ganhar novos caminhos.

 

JANAÍNA FERREIRA: O BOLO QUE MUDOU UMA VIDA

 A história de Janaína Ferreira com a confeitaria nasceu da forma mais simples — e amorosa — que pode existir: ao se arriscar a preparar um bolo para comemorar os três meses do filho. O desejo era que ele fosse bonito, daqueles capazes de impressionar antes mesmo da primeira fatia e transformar uma celebração em lembrança.

Janaína abriu a despensa e trabalhou com o que tinha à mão. Inspirada na tendência da época, que valorizava bolos decorados com chocolates de marcas famosas, adaptou a ideia com criatividade: substituiu os chocolates por biscoitos e finalizou tudo com uma delicada fita azul. Sem imaginar, aquele bolo marcava o início de uma trajetória empreendedora que ainda estava por ser escrita.

Àquela altura, a confeiteira recém-descoberta ainda era funcionária de carteira assinada. Naturalmente, os colegas de trabalho foram os primeiros clientes. Eles compravam os ingredientes, Janaína preparava os bolos e, no fim, todos cantavam parabéns juntos. Foi assim que ela percebeu que aquela atividade poderia se transformar em muito mais do que um hobby.

Até então, Janaína fazia tudo de forma intuitiva, aprendendo na prática, entre tentativas, erros e o desejo permanente de aperfeiçoar cada receita. A decisão de buscar formação profissional veio depois de assistir, pela televisão, a uma confeiteira pernambucana contando sua história.

A identificação foi imediata. Inscreveu-se no primeiro curso de confeitaria, mas havia um obstáculo: os materiais necessários não estavam incluídos. O marido contraiu um empréstimo consignado para comprá-los, enquanto o valor do curso foi parcelado no cartão de crédito. Mais do que um investimento financeiro, aquele foi um gesto de confiança. Antes mesmo de o negócio existir, a família já acreditava no sonho que nascia.

Janaína participa do Mercado no Parque como representante do Instituto Shopping Recife (ISR), braço social do empreendimento na comunidade de Entra Apulso. O espaço ocupa um lugar especial na rotina da família. Enquanto o filho frequenta o curso de robótica, ela já participou tanto como aluna quanto como instrutora dos workshops de culinária promovidos pelo Instituto. Um ciclo iniciado com um bolo feito por amor e que continua sendo alimentado pelo aprendizado e pelo compartilhamento de conhecimento.

 

LUCAS SANTOS: DRINQUES COMO EXPRESSÃO GASTRONÔMICA

 Aos 31 anos, oito deles dedicados à mixologia e à coquetelaria, Lucas Santos vem consolidando seu nome entre os principais profissionais do país. Responsável pela carta de drinques do restaurante Terra, no Parque Gourmet do Shopping Recife, figurou entre os seis finalistas do World Class Brasil 2025, uma das mais importantes competições da área.

Quem frequenta os eventos gastronômicos do Shopping Recife já conhece seu trabalho. As criações assinadas por Lucas — sempre entre as atrações mais concorridas — desembarcam agora no Mercado no Parque. Seus coquetéis refletem uma filosofia que combina técnica, pesquisa e criatividade, valorizando ingredientes brasileiros e revelando que a coquetelaria também pode ser uma forma de expressão gastronômica.

Para Lucas, um bom drinque começa muito antes de chegar ao copo. É preciso entender o contexto em que será servido, o público que irá apreciá-lo e a experiência que se deseja criar. Só então entram em cena o equilíbrio entre dulçor, acidez, amargor e textura, seguido pelos ajustes que transformam uma combinação de ingredientes em uma receita autoral. Até o nome de um coquetel faz parte da experiência: deve despertar curiosidade e preparar o cliente para aquilo que está prestes a provar.

 

VINÍCOLA RUPESTRE: O CATIMBAU EM FORMA DE VINHO

O estande da Vinícola Rupestre será uma parada obrigatória para os enófilos. O público poderá conhecer seu portfólio de vinhos brancos e tintos, que reúne blends e varietais produzidos em um dos projetos mais surpreendentes e arrojados da vitivinicultura nacional. Mais do que uma vinícola, a Rupestre representa uma aposta visionária: cultivar uvas viníferas em Buíque, no coração do Vale do Catimbau.

Os estudos para implantação dos vinhedos começaram em 2019 e, cinco anos depois, nasceram os primeiros rótulos. Se o vinho é a expressão mais fiel de um terroir, degustar um exemplar produzido entre as formações rochosas, a vegetação da caatinga e a paisagem singular do Catimbau é também é também provar a paisagem que lhe deu origem.

Em breve, essa experiência poderá ser vivida na própria origem. A Vinícola Rupestre prepara a abertura de sua estrutura para o enoturismo, permitindo que visitantes percorram os vinhedos tendo como cenário o Parque Nacional do Catimbau, um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil. Entre pinturas rupestres, cânions e formações rochosas, o vinho encontra uma paisagem à altura da história que começou a escrever.